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Com a palavra, uma gastrônoma...

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(Parte dessa entrevista foi publicada no jornal institucional impresso "InterIFMG", número 1, de maio a agosto de 2016, páginas 6 e 7)

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ENTREVISTA

Maria Emília Mendes é ex-aluna do curso de Tecnologia em Gastronomia, do Campus Ouro Preto (2014). Abaixo, a profissional conta um pouco sobre sua trajetória profissional, sobre as perspectivas do mercado de trabalho e, ainda, sobre a relação íntima entre a Gastronomia e o Turismo.

Em que área atua hoje, depois de formada? Já atuava antes de cursar Gastronomia no IFMG?

Atuo como chef de cozinha na área de Restaurante e Cozinha Hoteleira, em Ouro Preto. Antes, trabalhei por seis anos administrando um buffet, seguindo assim os passos do meu pai, fundador da empresa que atuou no mercado de eventos na cidade por 25 anos.

Atualmente, sou responsável por várias funções dentro e fora da cozinha: seleção dos ingredientes, preparação dos pratos, combinação dos sabores e apresentação. É de responsabilidade do chef de cozinha manter a ordem e a higiene no ambiente, além de coordenar a equipe no preparo dos pratos e durante o serviço.

Qual o perfil dos clientes que atende? O que eles procuram?

Por se tratar de um hotel, trabalhamos com um público bastante diferenciado. São turistas do Brasil e do mundo que vêm conhecer a cidade patrimônio mundial. Trabalhamos com turistas de lazer e com aqueles que vêm a trabalho. Por isso, as opções do cardápio são variadas e conhecidas internacionalmente. Temos opções de pratos advindos da culinária típica de diversos países e algumas opções com ingredientes regionais para aqueles que querem conhecer a cultura local.

Como você vê a relação entre a Gastronomia e o Turismo em sua profissão hoje?

A gastronomia como produto turístico é um importante motivador e, mesmo quando não é o elemento principal de um evento turístico, sempre estará inserida no contexto e terá o seu papel de destaque. As pessoas buscam novos conhecimentos, querem experimentar novos sabores, vivenciar outras culturas e a gastronomia pode ser o motivo principal, ou o inicial, para se conhecer determinado local. Em minha opinião, a gastronomia é muito importante e relevante para o turismo e possibilita inúmeras oportunidades para todos aqueles que souberem explorar esse nicho de mercado.

Viagem (turismo) e gastronomia ... realmente combinam?

Essa relação tem tudo a ver. A arte de preparar alimentos de cada povo está relacionada à sua cultura, religiosidade, classe social, etnia, localização geográfica e o que cada lugar oferece como alimento. Com isso a gastronomia é, cada vez mais, uma fonte de conhecer a cultura de um povo. Por meio do turismo ela tem se tornado uma opção de atrativo turístico-cultural de determinados destinos, favorecendo a atividade turística em vários lugares.

Qual o papel do turismo gastronômico na região em que atua?

As potencialidades do turismo em Minas Gerais favorecem o desenvolvimento deste setor em Ouro Preto. A cidade detém as condições necessárias para gerar resultados econômicos e sociais de forma sustentável. O papel de destaque exercido pela gastronomia mineira no cenário atual está intimamente vinculado à sua origem histórica, à diversidade geográfica, à riqueza dos seus ingredientes e à peculiaridade na maneira de utilizá-los.

Por que a cidade de Ouro Preto? A região possui algum diferencial?

A histórica cidade de Ouro Preto é uma das joias do Brasil e Patrimônio Cultural da Humanidade. Não há como Ouro Preto não despertar interesse em turistas que gostam de história, de arte, de cultura. Esse é o grande diferencial da cidade. Em se tratando de gastronomia, temos muitos atrativos: doces de São Bartolomeu, cachaça de engenhos, cervejas artesanais / destaque para a cervejaria Ouropretana, ora-pro-nóbis, fubá, quitandas ... A região oferece ao turista um verdadeiro elo com o passado.

Que tipo de alimentação o mineiro procura?

O mineiro é conhecido como o povo hospitaleiro. Essa hospitalidade tem forte relação com a “cozinha mineira”. Mineiro gosta da cozinha rústica, carne de porco e galinha, milho, mandioca, cachaça, doces caseiros, café com rapadura e, é claro, pão de queijo e queijo minas.

Quais as suas perspectivas profissionais?

Pergunto-me qual seria o meu ideal de sucesso profissional e há apenas uma certeza: a gastronomia é o meu caminho. Não me projeto em outra profissão. Mesmo ciente de que atualmente o mercado de trabalho para o profissional de gastronomia é marcado pelas poucas oportunidades, e pela desvalorização, acredito que exista um cenário favorável a mudanças. Pretendo continuar trabalhando por um tempo em cozinhas profissionais como venho fazendo. Depois, se tudo der certo, e eu espero que dê, futuramente abrirei meu próprio restaurante.

Que tipo de profissional se forma no curso de Gastronomia do IFMG?

Vejo a procura pelo curso de Gastronomia em geral composta por muitos profissionais de outras áreas que fazem gastronomia por hobby. Resultado de uma glamourização da profissão por parte da mídia, por meio de programas de reality show culinário, tão em voga nos dias atuais. Temos também aqueles que pretendem abrir um negócio, e vêm aqui aprender mais sobre a profissão. Há ainda aqueles que já têm uma tradição familiar no ramo da alimentação, e cursam gastronomia para administrar melhor a empresa da família, por exemplo.

Qual a contribuição do curso para a sua trajetória profissional?

É uma longa história. Sou formada em nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto e sempre tive uma atração pela arte, processo de criação e pela área de humanas. Encontrei tudo isso no curso de gastronomia. Na nutrição temos conhecimentos técnicos que não compartilhamos na gastronomia, mas que em certo momento se encontram no processo de elaboração de um cardápio, principalmente nos cuidados de higiene e controle de qualidade. A criação, o paladar e a relação entre história e cultura alimentar são temas mais importantes na gastronomia do que na nutrição que é focada na área da saúde, mas de forma geral é muito bom juntar os dois conhecimentos.

Fale um pouco sobre o aprendizado no IFMG.

Foi muito enriquecedor e contribuiu muito para a minha atuação como profissional. O curso tem duração de 3 anos. Nos primeiros períodos as aulas são mais teóricas. Na parte prática trabalhamos em grupos separados por praças, antes de qualquer manipulação, precisamos fazer um plano de ataque, que é uma organização de tarefas. Determinamos as funções de cada integrante do grupo, desde a montagem dos pratos até a limpeza da sua praça, assim como é o trabalho no dia a dia de um profissional. Os professores avaliam cada item detalhadamente: uniforme, integração do grupo, higiene, organização... estudamos história da gastronomia, ética, geografia, arte, química, serviços de sala e bar, bebidas.

O que você recomenda para os iniciantes ou para os interessados em Gastronomia? Quais os desafios da profissão? Vale a pena?

Em primeiro lugar, façam a seguinte pergunta: você realmente gosta de cozinhar? Até que ponto você realmente gosta a ponto de encarar a vida dura de cozinheiro? Sim. Somos todos cozinheiros. Chef de cozinha é um cargo. Outro ponto. Está disposto a sacrificar finais de semana, feriados, amigos, família? Trabalhamos quando os outros estão se divertindo. Esqueçam a imagem dos chefs celebridades e do glamour. Aprendam a lidar com a diferença. Sejam humildes. Você vai ter de conviver com pessoas que não tem o mesmo conhecimento que você, mas que têm uma experiência que pode somar ao seu conteúdo e que, no somatório final, é o trabalho de uma equipe que aparece. Nunca parem de estudar! Sempre que possível participe de projetos em gastronomia. É uma oportunidade aperfeiçoar, treinar, desenvolver habilidades. O equilíbrio entre a teoria e a prática vai te fazer um cozinheiro melhor sempre, acredito e muito nisso.

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(Parte dessa entrevista foi publicada no jornal institucional impresso "InterIFMG", número 1, de maio a agosto de 2016)

 

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