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Quando o universo é o limite!

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(Parte dessa entrevista foi publicada no jornal institucional impresso "InterIFMG", número 1, de maio a agosto de 2016, página 10)

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ENTREVISTA

O cientista Ivair Gontijo iniciou sua trajetória como estudante no antigo Colégio Agrícola de Bambuí, atual campus do IFMG. Atualmente, depois de ter passado pela UFMG e pela Universidade de Glasgow, na Escócia, atua em um laboratório da Nasa em Los Angeles. Entre os projetos dos quais fez parte, liderou a equipe responsável pela construção dos componentes mais críticos do radar que controlou os últimos sete minutos da descida do veículo Curiosity, em Marte. Na entrevista abaixo, ele fala sobre alguns desses projetos e sobre sua vida como estudante, além dos muitos desafios enfrentados nessa caminhada.

Você estudou por três anos no antigo Colégio Agrícola de Bambuí, atual campus do IFMG. É possível resgatar algo de pitoresco que tenha ocorrido naquela época?

Um grupo de 80 alunos entrava todo ano no Colégio e eu fui um deles há exatamente 40 anos, em 1976! Estudantes vindos de outras cidades moravam em alojamentos no Colégio mesmo. Ao entrar, os novos alunos iam para um alojamento chamado pelos outros alunos de “berçário”, pois lá moravam os mais novos.

Você chegou a morar no alojamento do Colégio?

Sim, morávamos no Colégio e eu ia para casa visitar a família uma vez a cada dois meses. Era tradição os alunos vestirem uma camiseta da escola e ir para a estrada pedir carona, quando queriam ir visitar a família. Éramos então conhecidos na região e, em geral, não havia muita dificuldade em conseguir carona.

Na época, os alunos moravam na escola e, em contrapartida, trabalhavam a metade do dia, cuidando de plantas e animais. Como havia duas turmas, uma frequentava aulas teóricas enquanto a outra estava em aulas práticas, trabalhando em atividades relacionadas ao que estávamos aprendendo nas salas de aula. Era então uma relação proveitosa para os dois lados, porque tínhamos comida e alojamento de graça e a escola/fazenda produzia muito mais alimentos do que o necessário para seu consumo próprio. O excesso era vendido, pelos alunos sob a supervisão de um dos professores, na feira da cidade.

Em sua trajetória como estudante, certamente ocorreram momentos marcantes. É possível citar um?

Eu sempre gostei das ciências exatas e da matemática. Foi na biblioteca do Colégio de Bambuí que li um livro “O universo e o Dr. Einstein”, que fez com que eu decidisse estudar mais, possivelmente física. Antes de ir para a universidade no entanto, fui exercer a profissão de técnico agrícola e administrei uma fazenda de mais de 7.000 hectares no município de Pirapora, norte de Minas. A cidade ficava a 100 km de distância, dos quais somente 19 eram asfaltados. Aprendi muito lá e, depois de três anos fui para BH, onde fiz o vestibular para Física na UFMG.

Você tem uma trajetória de crescimento significativa. Quais foram suas principais dificuldades nessa caminhada?

Durante meu período de estudos, a maior dificuldade era mesmo financeira. Por isso sempre trabalhei nas férias, dei aulas particulares de cálculo quando estava na universidade, fui monitor e fiz também iniciação científica. Além disso, minha época de estudos coincidiu com o período de hiperinflação no Brasil. Os mais novos não viveram isso, mas era dificílimo planejar a vida quando ninguém sabia nem quanto seria seu salário no fim do mês.

Os problemas hoje são outros. Não é fácil morar fora do Brasil e tão longe da família. Mesmo com um voo direto, leva-se 12 horas de Los Angeles até São Paulo. Além disso, temos pouquíssimas férias por aqui.

Você é brasileiro e vive em um dos países mais desenvolvidos do mundo, com uma cultura com valores muito diferentes dos nossos. O que é possível dizer sobre essa experiência?

A experiência é ótima! Os Estados Unidos são o terceiro país em que moro, depois da Escócia e do Brasil. Cada um deles tem sua própria cultura, mas ao mesmo tempo “gente” é mais ou menos igual em qualquer lugar. A quantidade de informações e de oportunidades profissionais é muito maior aqui do que no Brasil. Para quem está disposto a trabalhar de 10 a 12 horas por dia, as possibilidades de crescimento profissional são enormes.

Temos informações de que você atuou em um projeto que desenvolveu lentes esféricas para cirurgias de catarata já utilizadas por um milhão de pessoas em todo mundo? Isso se confirma?

É verdade, com uma pequena correção. Lentes podem ser esféricas, nessas a superfície da lente é parte de uma esfera ou “asféricas”, quando o formato da lente é mais complexo. Este “a” no nome é o prefixo grego que significa “não”, como no substantivo “átomo” (aquilo que não pode ser dividido).

A empresa “Staar Surgical” já produzia lentes “esféricas” há muitos anos. Eu fui contratado como gerente do grupo de pesquisa e desenvolvimento e como engenheiro ótico chefe (chief optical engineer) para reprojetar todas as linhas de produção de lentes da empresa, para usar tecnologia e ideias mais novas. Por isso, transformamos todas as lentes da empresa para usar a tecnologia de lentes “asféricas”, que atualmente são produzidas na Califórnia e Suíça e usadas no mundo todo.

Sua palestra em Bambuí foi sobre a missão Mars Science Laboratory (MSL), responsável pela construção e envio do veículo Curiosity ao planeta Marte. O que é possível dizer sobre o assunto?

Por mais de dois mil anos a humanidade tem estudado o planeta Marte e grandes avanços foram feitos nas últimas décadas, com satélites terrestres em órbita marciana e veículos robotizados na superfície.  Agora já sabemos que Marte teve oceanos no passado, mas por alguma razão a água sumiu!  No dia 6 de Agosto de 2012, o projeto MSL (Mars Science Laboratory) da Nasa fez um pouso dramático, colocando na superfície de Marte o veículo Curiosity de 900 kg, carregado de instrumentos para estudar o planeta. Como essa, outras missões para Marte foram idealizadas e construídas no Jet Propulsion Laboratory da Nasa, em Los  Angeles.

Desde 2006, você atua no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, tendo atuado em projetos que certamente exigiram muito de você. Que mensagem deixaria para aqueles que também querem contribuir para o desenvolvimento de projetos em prol da sociedade?

Sempre digo em minhas palestras que tudo na vida, especialmente uma carreira de sucesso é mesmo muito difícil. Por isso, a gente tem de tentar de tudo, que no final alguma coisa vai dar certo. Além disso, “não há obstáculo que resista a 16 horas de trabalho todo dia, durante 20 anos”, por isso prepare-se para dar o melhor de si em sua carreira profissional. Para os estudantes, muito sucesso vem do cuidado de pensar sua carreira a longo prazo, pensar por exemplo onde você quer estar daqui a 10 ou 20 anos e tentar de tudo para chegar lá.

(Parte dessa entrevista foi publicada no jornal institucional impresso "InterIFMG", número 1, de maio a agosto de 2016)

 

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